terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Avaliação da sustentabilidade no setor florestal - Quando a produção é realmente sustentável?

Material para produção de biojóias de babaçu. Foto de Carlos Goldgrub.

Sustentabilidade não é mais uma tendência. É uma realidade, uma necessidade de sobrevivência que leva as empresas a buscarem soluções inovadoras e criativas para adequação de seus produtos e processos, na direção de uma economia de baixo carbono e mínimos danos ambientais.

Muito se fala sobre atitudes e práticas sustentáveis, porém nem sempre elas são acompanhadas por medição e comprovação. Isso impede estudos consistentes sobre tal sustentabilidade. Segundo ROBINSON (2004)1 , o desenvolvimento e a adoção de métodos de avaliação de sustentabilidade se tornaram uma prerrogativa para dar credibilidade ao conceito de desenvolvimento sustentável e, assim, combater o que ele chamou de ambientalismo cosmético (ou hipocrisia verde); ou seja, o uso de adjetivos relacionados ao conceito empregado para promover produtos ou serviços, porém sem qualquer verificação de sua real colaboração para a sociedade e o meio ambiente. 

A avaliação da sustentabilidade também é uma forma de esclarecer aos consumidores o significado de termos muito usados atualmente pela indústria, tais como: desenvolvimento sustentável, sustentabilidade e produção sustentável. Esses termos geram dúvidas, como: “sustentável em que sentido?”, “como é medida essa sustentabilidade?”, “o que entra em conta para ser considerado sustentável?”, “sustentável até que ponto?”. 

As respostas a essas questões demandam a escolha de uma ferramenta para avaliar a sustentabilidade de uma atividade específica, definindo os aspectos a serem considerados, a metodologia de coleta de dados, os valores de referência adotados e o nível de precisão. Assim, ficará claro ao público interessado o que exatamente está envolvido na classificação de uma certa produção como sustentável. 

O setor da produção florestal não-madeireira é um exemplo da necessidade de avaliar sua sustentabilidade. À primeira vista, o setor pode parecer sustentável por retirar da floresta partes de plantas (frutos e folhas, por exemplo) e não promover a supressão de vegetação. Porém, sem a devida avaliação do sistema de produção adotado, não é possível afirmar que a floresta fornecerá o material biológico utilizado em quantidade e qualidade apropriada para manter a atividade econômica. O artigo publicado na revista Estatística Florestal da Caatinga(editada pela Associação Plantas do Nordeste (APNE) e pelo Ministério do Meio Ambiente), intitulado Caracterização de empreendimentos envolvidos com produção florestal não-madeireira no bioma Caatinga2 indica que os empreendedores declaram muitas vezes aplicar alguma técnica de extração da matéria-prima, mas não sabem informar a sua adequação para tornar a produção contínua e sustentável. 

Esse setor tem potencial de ser sustentável desde que seja adotado um sistema de produção com técnicas de manejo que mantenham a extração em quantidade e qualidade desejada, colaborando para a conservação de recursos naturais. Dessa forma, a avaliação da sustentabilidade é um meio de conhecer melhor o empreendimento e planejar as ações, possibilitando:

a) Enxergar benefícios e problemas referentes às dimensões ambiental e socioeconômica, gerados pelo sistema de produção adotado; 
b) Monitorar a melhoria de desempenho ambiental e socioeconômico; 
c) Informar aos consumidores sobre aspectos ambientais e socioeconômicos relacionados ao produto comercializado. 

Com isso, o empreendedor tomará consciência dos aspectos que diferenciam sua produção da de seus concorrentes em relação às dimensões ambiental e socioeconômica e terá condições de elaborar estratégias para agregar valor ao seu produto.  


O estudo de caso de dois empreendimentos de manejo florestal para fins energéticos realizado no bioma Caatinga ilustra essa aplicabilidade. Tal estudo, descrito na Seção V - Manejo florestal sustentável e biodiversidade do livro Uso sustentável e conservação dos recursos florestais da caatinga3, a ser lançado pelo Serviço Florestal Brasileiro em novembro de 2010, apontou que o sistema de produção adotado colabora para a conservação das características físicas e químicas do solo e de alguns grupos de fauna. Essa informação complementa o resultado do inventário florestal que mostrou que o volume de madeira retirado da floresta na 1ª rotação, após 14 anos, havia sido recuperado ao término do primeiro ciclo de corte. Ou seja, não só estava assegurada a sustentabilidade da produção na 2ª rotação, como também foram comprovados os benefícios ambientais associados, que podem ser informados aos consumidores e influenciar a tomada de decisão no momento da compra. 

A Seção de Sustentabilidade de Recursos Florestais do IPT está desenvolvendo linha de pesquisa e treinando sua equipe para apoiar setores produtivos baseados na utilização de recursos florestais quanto à avaliação da sustentabilidade dos sistemas produtivos utilizados. 

Saiba mais em:

Notícias - Bioma Caatinga
Solução tecnológica - Tecnologias de produtos e serviços sustentáveis, ambiente e florestas 

Sobre as autoras:

Caroline Almeida Souza, pesquisadora da Seção de Sustentabilidade de Recursos Florestais do CT-Floresta, é engenheira florestal e mestre em economia ecológica. As áreas de maior interesse de pesquisa são: serviços ambientais, desenvolvimento sustentável e avaliação da sustentabilidade. 

Ligia Ferrari Torella di Romagnano é ecóloga, Mestre em Tecnologia Ambiental e responsável pela Seção de Sustentabilidade de Recursos Florestais do CT-Floresta, com atuação em projetos de avaliação do meio biótico, recuperação de áreas degradadas, serviços ambientais e gestão ambiental.

Referências:

1 Robinson, J. Squaring the circle? Some thoughts on the idea of sustainable development.
Ecological Economics 48(2004):369-384. Disponível para assinantes em www.sciencedirect.com 

2 Santos Jr., A. G.; Souza, C. A. Caracterização de empreendimentos envolvidos com produção florestal não-madeireira no bioma Caatinga.Estatística Florestal da Caatinga. Natal, v. 1., p. 18-32, 2008.

3 Gariglio, M. A. (Org.) Uso sustentável e conservação dos recursos florestais da caatinga, Brasília: Serviço Florestal Brasileiro, 2010. (no prelo).

Fonte: www.ipt.br

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Inscrições abertas!

Abertas as inscrições para a Pós-Graduação à distância em Gestão Florestal- UFPR

Início do curso dia 24 de março de 2011                         

Valor do investimento: 18 parcelas de R$ 330,00

Duração: 12 meses de aula e 6 meses de elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso

Inscrições através do site www.florestal.ufpr.br

Contatos: 41 33505696 / 3350 5787 / florestal@ufpr.br

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Expoforest 2011

Estão abertas as inscrições para a Expoforest 2011 - Feira Florestal Brasileira, que será realizada de 13 a 15 de abril, no Horto Florestal Mogi Guaçu (SP) 



ASSESSORIA DE IMPRENSA EXPOFOREST 2011


Até o dia 28 de fevereiro, o valor para profissionais será de R$ 40 para um dia visitação e R$ 60 para todos os dias. Após essa data, os valores mudam para R$ 60 e R$ 80, respectivamente. Estudantes com comprovação pagam meia-entrada, mas também com a alteração de preço a partir de março. 

Os participantes dos eventos técnicos da II Semana Florestal Brasileira, que antecede a feira, nos dias 11 e 12 de abril, em Campinas (SP), terão isenção para entrada na Expoforest, mediante apresentação do crachá.

A primeira feira florestal dinâmica da América Latina vai receber máquinas, equipamentos e novas tecnologias para o cultivo, a colheita e o transporte florestal. O objetivo dos organizadores é colocar o Brasil no calendário internacional de feiras florestais. A Expoforest 2011 já conta com a chancela das principais empresas do setor, com o apoio institucional do KWF, centro que oferece suporte técnico e científico para as práticas florestais alemãs, e de toda a base florestal brasileira, por meio das associações que representam o setor. 



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Preço da celulose de fibra curta mantém queda

A finlandesa Foex, consultoria independente informou nesta terça-feira, 14, que o preço da celulose de fibra curta, com entrega na Europa, caiu 1,44%, empurrando a comercialização para US$ 12,42, e US$ 852,08 a tonelada.

Já o preço da celulose de fibra longa, também com entrega na Europa, se manteve praticamente estável, registrou baixa de 0,03%, ou de US$ 0,28, na última semana, para US$ 948,99.


Na China, o preço da celulose de fibra curta atingiu US$ 747,31 na semana passada, o que representa um recuo de 0,38% ante o período anterior.


"Acreditamos que esse cenário de queda deve continuar para o curto prazo, porém, para o médio e longo-prazo, devemos ter um cenário positivo para as companhias produtoras de celulose, com um pequeno aumento da produção e uma elevação da demanda", avaliou a Link Investimentos através de relatório assinado pelo analista Leonardo Alves.


Na avaliação da Link, o segmento de embalagens continua passando por um momento positivo, com o preço de Kraftliner em tendência de alta. Nessa semana, na Europa, o preço teve uma variação de 0,39% e foi cotado a US$ 736,38 por toneladas.

 
Fonte: Brasil Econômico

Ruralistas tentam votar Código Florestal até hoje

A bancada ruralista tentará votar, nesta quarta-feira, o projeto de lei do novo Código Florestal Brasileiro, feito a partir do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que gerou críticas de ambientalistas e de setores do governo. Segundo o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), presidente da comissão que avaliou as mudanças no atual Código Florestal, os ruralistas pretendem votar o mérito do projeto de lei logo após a aprovação do requerimento para a urgência, previsto para ser avaliado amanhã na Câmara dos Deputados.
"Este tema já foi exaustivamente debatido pela sociedade em cerca de 60 audiências públicas e não tem mais motivos para protelá-lo indefinidamente, como pretendem os ambientalistas", afirmou Micheletto. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) endereçou hoje pedido aos seus integrantes no qual solicita o apoio para comparecimento em plenário.
Na semana passada, a bancada ruralista tentou votar o projeto, mas recuou e conseguiu um acordo de lideranças para o requerimento de urgência. Com isso, a intenção seria ao menos apressar a votação do projeto para o início de 2011, em fevereiro. Mas os ruralistas ainda devem tentar uma última cartada este ano. Segundo Micheletto, há "a necessidade de se votar logo o novo Código Florestal, daí a nossa expectativa em sua aprovação ainda nesta legislatura na Câmara e no ano que vem no Senado".
Para o deputado, a pressa para aprovação do relatório de Rebelo se justifica porque o documento altera a legislação ambiental atual (cerca de 16 mil leis) que, segundo ele, colocará na ilegalidade cerca de 90% das propriedades agrícolas, caso vigore o Decreto 7.029, que regulamenta o Código Florestal de 1965. "Esse decreto é uma verdadeira espada sobre o pescoço do produtor rural, pois o obriga a fazer averbação da propriedade a partir de junho de 2011, além de fixar pesadas multas diárias e outras sanções", afirmou.

Fonte: O Estadão

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Palestra em Costa Rica aborda mercado da madeira de eucalipto e sistema agrosilvipastoril


Costa Rica, município do interior de Mato Grosso do Sul, recebe nesta sexta-feira, 3, às 13h, uma palestra que vai tratar sobre o “Mercado de Madeira de Eucalipto e Sistema Agrosilvipastoril”. O evento será realizado no Centro de Convivência da Terceira Idade da cidade.

O palestrante será o engenheiro agrônomo, Pedro Francio, que palestrou nas duas edições do Seminário “Plantar Florestas é um Bom Negócio”, organizado pelo Painel Florestal, em Aparecida do Taboado e Inocência, além do Ribas Florestal 2010, realizado em Ribas do Rio Pardo.


A presença de Pedro Francio como palestrante também já está confirmada para a 3ª edição do Seminário “Plantar Florestas é um Bom Negócio”, que será realizado em Coxim, no dia 24 de fevereiro de 2011.

 
Fonte: Painel Florestal

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Visita a Fazenda Modelo do IAPAR durante o Encontro Presencial do Curso de Gestão Florestal

Os alunos que participaram do 2º Encontro Presencial - 2010, no período de 18 a 20 de novembro, tiveram a  oportunidade de conhecer as pesquisas da Fazenda Modelo do IAPAR, localizada em Ponta Grossa.

Lá, eles foram recebidos pela administração e pesquisadores do IAPAR e Embrapa onde tiveram contato com os experimentos realizados pelas instituições sobre o sistema de produção agrossilvipastoril.

Acompanhados pelo professor  Alessandro Angelo, da Universidade Federal do Paraná, e pela tutoria do curso de especialização em Gestão Florestal, os alunos tiveram um dia de campo para visualizar as possibilidades e potencialidades desse sistema para os setores produtivo florestal, agrícola e pecuário, além de alternativas para preservação do solo e outros recursos naturais.

Conheça mais sobre a Fazenda Modelo e o IAPAR no link: http://www.iapar.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1244